Ontem à noite, ao ver a publicação de um amigo sobre a tua morte, pensei que fosse uma brincadeira de mau gosto. Minutos antes, tinhas partilhado uma foto na “história do dia” no Facebook — como quem ainda tinha muito por viver.
Mas o pior confirmou-se. E fiquei de rastos.
Vieram-me à memória os projectos que tinhas pela frente, muitos dos quais partilhámos desde os tempos de estudante. Tu, nos últimos anos do ESAD; eu, ao lado, nos primeiros anos do ISE. Eras já nessa altura alguém que pensava à frente, com ideias claras e uma energia contagiante.
Ficaste conhecido como compositor e intérprete, mas o teu verdadeiro talento estava na política — na capacidade de liderar, inspirar e fazer acontecer. Essa parte ficou por concretizar, embora tenhamos falado dela tantas vezes. Tinhas uma visão clara: acreditavas que os jovens não deviam ocupar papéis decorativos nem ser mão-de-obra barata na política. Acreditavas, como poucos, que os jovens têm lugar na linha da frente.
Foi por isso que mobilizaste os teus e te lançaste num projecto novo. Sabias das dificuldades, mas acreditavas que era possível eleger autarcas e mostrar que se pode fazer política jovem, diferente, sem ser delfim de ninguém.
Esse projecto ficou por realizar. Mas a tua coragem permanece. E será inspiração para todos os jovens que abraçam a política com o propósito de servir a comunidade, de fazer o bem — independentemente das suas crenças ideológicas.
Romeu, partiste cedo demais. Mas deixaste um rasto de convicção, de autenticidade e de esperança. Até sempre.

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