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  • A República com Rosto de Futuro

    Por: Milton Paiva

    Um Dirigente jovem não é apenas uma questão de idade, é um estado de espírito, uma atitude perante o tempo. Representa uma geração que já nasceu global, digital, inquieta e consciente de que o poder, hoje, não se exerce apenas de cima para baixo, mas em rede, com empatia e propósito.

    Um Dirigente jovem é um líder que escuta o ritmo da rua, entende o pulso das ilhas e fala a linguagem dos novos tempos.

    Não tem medo de reformar, de questionar, de abrir as janelas da República para o vento fresco das ideias.

    É educado na transparência e não na tradição do segredo. Prefere o debate aberto à reunião fechada, o diálogo ao decreto, o “nós” ao “eu”.

    Entende que o poder não é privilégio, mas serviço e responsabilidade.Não promete o impossível mas faz com criatividade e coragem.

    Um Dirigente jovem sabe usar a tecnologia como ponte e não como muro. Transforma redes sociais em redes de cidadania. Fala com o agricultor, o estudante, o emigrante e o empresário no mesmo tom de respeito e esperança.Sabe que governar um País arquipelágico é ligar pessoas e sonhos, não apenas ilhas e estradas.Mas o que mais distingue um Dirigente jovem é o sentido de urgência.

    Ele sabe que o tempo da juventude é curto, e que o futuro não espera. Por isso, age. Experimenta. Inova.Não por vaidade, mas por dever com a geração que vem atrás, e com a que confiou nele para abrir caminho.O Dirigente jovem é o símbolo de uma República viva, plural e audaz.

    Um Dirigente que não teme o amanhã, porque acredita que o amanhã é agora.E quando Cabo Verde tiver a coragem de integrar no leme esse espirito, não pela idade, mas pela visão, então, talvez, o arquipélago encontre a sua nova rota: uma Nação em movimento, guiada pela energia do presente e pela esperança de um futuro que já começou.

  • Um Novo Modelo de Regionalização para Cabo Verde: Reconstruir o Equilíbrio Nacional

    Por: Milton Paiva

    Na semana em que anualmente refletimos e debatemos sobre o “estado da justiça” no País, o meu comentário deste ano é sobre um tipo de justiça que nem sempre é lembrado: a justiça territorial.

    A “Justiça territorial” seria o princípio que busca garantir uma distribuição equilibrada dos recursos, oportunidades e serviços públicos entre diferentes regiões de um País, de forma a corrigir desigualdades históricas e promover o desenvolvimento harmonioso do território nacional.

    Cabo Verde está a chegar a uma encruzilhada decisiva. O debate sobre a regionalização, tantas vezes adiado, precisa de ser retomado com coragem, lucidez e sentido de futuro. O modelo rejeitado pelo Parlamento em 2019 — “uma ilha, uma região” — revelou-se insuficiente e, em certos casos, redundante. Uma analise detalhada e comparada da proposta sugere que repetir estruturas administrativas em ilhas que já possuem um único município poderia levar simplesmente a multiplicar a burocracia, sem aproximar o poder das pessoas e nem resolver os desequilíbrios territoriais.

    O País precisa agora de um modelo funcional, equilibrado e inovador, que respeite a diversidade do arquipélago, valorize as suas afinidades históricas e económicas, e fortaleça a coesão nacional. É tempo de pensar numa regionalização de sentido estratégico, não meramente simbólica.

    1. Regionalizar para DesenvolverA regionalização não é uma questão de mapa; é uma questão de desenvolvimento.

    Significa aproximar o Estado das comunidades, libertar as ilhas do excesso de centralismo, e criar centros regionais de decisão capazes de planear, executar e avaliar políticas públicas adaptadas à realidade local. Só assim se reduz o fosso entre Santiago, São Vicente e Sal, e o resto do País, entre o litoral e o interior, entre a ilha que cresce e a que fica para trás.

    2. Evitar Redundâncias, Ganhar EficiênciaO novo modelo deve evitar a duplicação de estruturas.

    Onde município e ilha coincidem, não parece fazer sentido criar novos níveis administrativos apenas para cumprir uma ideia de regionalização formal. A prioridade deve ser dar poderes reais às Regiões, com competências claras em desenvolvimento económico, planeamento territorial, ambiente, turismo, formação profissional e cooperação intermunicipal. As Regiões devem ser motores de iniciativa, não apenas câmaras de representação.

    3. Duas ou Três Regiões: Coerência e Identidade

    Dois modelos se apresentam como base de reflexão:Um modelo de 2 Regiões: Sotavento e Barlavento, retomando a divisão histórica e natural do arquipélago. Simples, simbólico e coerente.Um modelo Alternativo de 3 Regiões:a) Região Norte: Santo Antão, São Vicente e São Nicolau (e Santa Luzia)b) Região Centro: Sal, Boa Vista e Maioc) Região Sul: Santiago, Fogo e Brava (e Maio?)Esta segunda opção reforça a lógica de proximidade e complementaridade económica, criando equilíbrios internos e promovendo sinergias entre ilhas vizinhas com vocações distintas, desde agrícola, turística, portuária, industrial, cultural, mas interdependentes.

    4. Mais Autonomia, Menos Centralismo

    Regionalizar é dar autonomia com responsabilidade. É permitir que as regiões decidam sobre as suas prioridades, e sejam responsabilizadas pelos resultados. É descentralizar os recursos, o investimento público, a formação e a inovação. É dar espaço à criatividade regional, à gestão partilhada e ao desenvolvimento sustentável.

    5. Uma Nova Visão de Cabo Verde

    Cabo Verde não pode continuar preso ao peso do centralismo histórico. O País precisa de um Estado moderno, policêntrico e colaborativo, onde cada ilha tenha voz e cada região tenha força. A regionalização deve ser o instrumento que transforma assimetrias em oportunidades, que cria novos polos de decisão, e que faz do arquipélago um verdadeiro laboratório de democracia e desenvolvimento.

    Mais do que dividir o território, trata-se de multiplicar as possibilidades de progresso. A regionalização é, acima de tudo, um projeto de Nação, para unir melhor o que o mar separou.