Por: Milton Paiva

Cabo Verde perde, a cada mandato, 160 milhões de euros e 900 milhões de impacto na economia com o green card (+): https://e-portaldef.gov.cv/
Muitos ainda estão convencidos de que o desafio principal do País é a falta de recursos financeiros. Eu não. Um dos problemas principais do nosso tempo é a falta de ousadia e inovação, e pôr pessoas erradas a avaliar soluções certas.
No fundo, não faltam recursos para a cultura e desporto, ou emergências do Pais, mas falta ousadia para os tirar do papel e meter no campo da prática. A solução já está numa Lei aprovada pelo Parlamento (Lei nº 30/IX/2018, de 23 de abril).
Cabo Verde encontra-se perante uma oportunidade histórica de reposicionar-se como um destino global de investimento, talento e mobilidade. Mais de 60 Países similares a nõs já o fizeram, inclusive São Tomé e Príncipe. A proposta de parceria com líderes mundiais em programas de residência e cidadania por investimento, oferece ao país uma ferramenta estratégica para atrair capital estrangeiro direto, criar emprego e acelerar o crescimento sustentável, sem riscos financeiros para o Estado.
O Programa Green Card Visa (+), reformulado, permitiria que Cabo Verde beneficie de um fluxo constante de investimento privado, sobretudo no setor imobiliário, estimando-se uma injeção direta de mais de 160 milhões de euros nos primeiros cinco anos, com um impacto global de cerca de 900 milhões de euros na economia nacional. Trata-se de capital fresco que reforçará as infraestruturas, dinamizará o turismo, modernizará os transportes e criará novas oportunidades para empreendedores e trabalhadores cabo-verdianos.
Mais do que números, este programa posiciona Cabo Verde como um hub de inovação, talento e qualidade de vida no Atlântico, reforçando a sua localização estratégica entre África, Europa e Américas. A experiência internacional demonstra que países como Malta, Portugal, Granada e Montenegro transformaram os seus programas em motores de desenvolvimento económico, gerando receitas, visibilidade e novas parcerias globais.
A estrutura proposta garante transparência, simplicidade e atratividade, com um processo rápido e seguro, auditado por especialistas internacionais. O modelo é ganha-ganha: o Governo não assume custos, e os operadores especializados apenas são remunerados se o programa tiver sucesso. Assim, o risco é inexistente, mas o potencial de benefício é extraordinário.
Adotar este programa significaria abrir Cabo Verde ao mundo de forma inteligente, seletiva e competitiva, reforçando a confiança internacional no País. É um passo visionário que pode colocar Cabo Verde entre os destinos mais desejados para viver, investir e criar.
Trata-se de transformar o potencial em realidade: tornar Cabo Verde uma primeira escolha para investidores e talentos globais, impulsionando o desenvolvimento económico, a sustentabilidade e o futuro das próximas gerações.
Este artigo é inspirado em dados reais e estudos comprovados, assim como em apresentações oficiais ao Estado de Cabo Verde (gaveta), com o titulo “Como tornar Cabo Verde na primeira escolha para Talento e Investidores na Região”. Urge um debate nacional, competente e especializado sobre o tema.
Livros e Publicações Académicas (Oxford, Cambridge, Harvard)
– Kälin, C. H., & Kochenov, D. (2019). Citizenship by Investment. Cambridge University Press.
– Surak, K. (2021). Millionaire Mobility and the Sale of Citizenship. Journal of Ethnic and Migration Studies, 47(1), 166–189.
– Dzankic, J. (2019). The Global Market for Investor Citizenship. Palgrave Macmillan.
-Shachar, A. (2017). Selecting by Merit: The Brave New World of Stratified Mobility. In Migration and Mobility in the Modern Age. Oxford University Press.
– Surak, K. (2023). The Golden Passport: Global Mobility for Millionaires. Harvard University Press.
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